Qua 20 Ago 2008
Debate na Bienal: “Audiolivro e livros em papel: complementares ou concorrentes?”
Publicado por imprensa sob Sem CategoriaRecente ainda no Brasil, o audiolivro causa polêmica e curiosidade ao mesmo tempo. Por despertar tanto furor, essa questão foi discutida no último dia 17, domingo, na 20ª Bienal Internacional do Livro, no auditório A, em uma mesa composta por nomes importantes do mundo editorial: Laurentino Gomes, Moacyr Scliar, Pascoal Soto, Rosa DeSouza, Reinaldo Polito, Oswaldo Paião e Marco Giroto e teve a mediação de Paulo Silveira. Os autores Marcelo Rubens Paiva e Alexandre Felício não puderam comparecer, como previsto no programa.
Muitas questões foram levantadas e para Marco Giroto, diretor executivo da Audiolivro Editora, o debate foi positivo. “Foi interessante saber a opinião das ‘celebridades’ do ramo, que em sua grande maioria, são favoráveis ao audiolivro”, fala.
O autor de “1808”, Laurentino Gomes, maior best-seller do momento, e que já tem sua versão em audiolivro, é fã desse mercado há muito tempo. “Eu assino um site americano chamado www.audible.com, pago uma pequena quantia e posso escutar duas obras por mês, é fantástico. Hoje absorvo muito mais literatura do que há alguns anos. E usei os audiobooks em minhas pesquisas para o ‘1808’, é uma fonte confiável e prática”, alega.
Para o autor, o livro em papel e audiolivro são complementares. “Não podemos ignorar a importância da Internet no mundo contemporâneo, e não se adaptar aos audiolivros não é o ideal. Temos que usar a tecnologia a nosso favor, por isso penso que livros em papel e audiolivros são complementares e não concorrentes”, afirma.
Alguém na platéia perguntou se o audiolivro não deixará as pessoas mais preguiçosas para ler um livro num país em que o interesse pela literatura é muito baixo ainda. Marco Giroto apontou uma pesquisa americana que afirma que, nos Estados Unidos, as crianças escutam o audiolivro antes de aprender a ler. “O audiolivro é popular nos Estados Unidos desde a década de 1980 e conquista leitores das mais diversas idades. Lá, as crianças escutam histórias através do audiolivro muito antes de aprenderem a ler. Com isso, elas passam a gostar de literatura e partem também para a leitura do livro tradicional. Isso é uma excelente forma de criar um público-leitor. Se as crianças virem seus pais lendo ou escutando um audiolivro, certamente farão o mesmo, não importa em qual mídia for”, explica Giroto.
Outro ouvinte na platéia questionou se o audiolivro não vai distrair as pessoas que estiverem no trânsito, ou mesmo se é possível se concentrar na obra e não no mundo exterior. O autor Moacyr Scliar entrou na defesa do audiolivro: “Se você pode ouvir música e escutar notícias, porque não pode ter atenção num audiolivro? Se fosse assim, os rádios deveriam ser proibidos nos carros. Só falta agora inventarem uma lei seca contra isso também”, brinca o autor gaúcho.
Reinaldo Polito, que lançou seu primeiro audiolivro “Super dicas para falar bem em conversas e apresentações”, pela editora Saraiva, fala de como descobriu o audiolivro. “Meus alunos pediam para eu colocar minhas aulas em áudio. Gravei uns K7s e quando fui lançar, percebi que minha mídia já estava obsoleta, foi quando descobri o audiobook, que só chegou ao país muitos anos depois”, explica. Ele ainda mostrou fotos que tirou de seu celular quando esteve nas livrarias de Nova Iorque e havia prateleiras enormes repletas de audiolivros.
Discutiu-se ainda direitos autorais e direitos conexos, em que se faz um contrato para utilização da voz por cinco anos, e pode ser renovável. O audiolivro é um mercado fresco no Brasil, mas que tem grande potencial para crescer e se tornar popular.
Deixe uma resposta.
Você deve estar conectado para publicar um comentário.